Após conquistar com autoridade a Copa do Mundo de 2026, somando o título à Eurocopa de 2024 e recolocando La Roja no topo do Ranking Mundial da FIFA, Luis de la Fuente parece simplesmente incapaz de errar.
Aos 65 anos, o treinador percorreu todas as categorias da seleção espanhola, comandando as equipes sub-19, sub-21 e olímpica antes de assumir a seleção principal em 2022. Especialista no desenvolvimento de jovens talentos, foi fundamental na evolução de jogadores como Lamine Yamal e Pau Cubarsí. Também trabalhou com Dani Olmo, Mikel Oyarzabal, Fabián Ruiz e Unai Simón quando comandava a equipe sub-21.
A Espanha foi uma campeã incontestável e, sem dúvida, a melhor seleção da competição. Marcou 14 gols e sofreu apenas um, depois de estrear com um empate sem gols diante da estreante Cabo Verde. A partir daí, venceu os sete jogos seguintes, sendo que apenas a Bélgica conseguiu superar a sólida defesa espanhola.
A vitória sobre a França na semifinal foi especialmente impressionante. Os franceses vinham exibindo um futebol ofensivo e envolvente durante todo o torneio, mas foram limitados a poucas oportunidades reais. Enquanto isso, La Roja construiu o triunfo com um pênalti sofrido por Lamine Yamal e convertido por Mikel Oyarzabal, além de um gol de Pedro Porro após bela jogada iniciada por Dani Olmo.
A Espanha neutralizou a França com sua tradicional filosofia baseada na posse de bola, privilegiando o posicionamento, as triangulações rápidas e a circulação precisa. Sempre que os franceses demoravam um instante a mais para decidir, os espanhóis recuperavam a posse imediatamente.
A equipe de De la Fuente manteve essa identidade independentemente do adversário ou da situação da partida. Ela não funcionou na estreia diante de Cabo Verde, mas os Tubarões Azuis foram a exceção. Todos os demais rivais acabaram sucumbindo à pressão espanhola.
Quando tem a bola, a Espanha joga sempre de maneira positiva. Explora os lados do campo com Lamine Yamal e Nico Williams sempre que encontram espaço ou procura lançamentos em profundidade para Dani Olmo e Mikel Oyarzabal atacarem as costas da defesa.
Embora valorize a posse e as triangulações, La Roja também utiliza inversões de jogo e conta bastante com o apoio ofensivo dos laterais, principalmente Marc Cucurella, que frequentemente aparece em ultrapassagens ou infiltrações pelo corredor interno. Quando a bola chega aos pontas, Mikel Merino e Oyarzabal costumam ser os principais beneficiados na área.
Mesmo sendo uma equipe extremamente ofensiva, o equilíbrio defensivo passa pelos pés do melhor jogador do torneio, Rodri. O volante interrompe ataques adversários, recupera a posse e rapidamente inicia novas construções, sempre respeitando a filosofia de controle da bola.
As odds da SBOTOP para a Copa do Mundo de 2026 apontavam a Espanha como uma das favoritas desde o início, e De la Fuente, junto de seus jogadores, praticamente não cometeu erros durante toda a campanha.
A Argentina reviveu velhos tempos

Enquanto o estilo ofensivo e baseado na posse da Espanha encanta pela estética, a Argentina de Lionel Scaloni adotou, principalmente na reta final da competição, uma filosofia de “vencer a qualquer custo”.
Muito dependente de Lionel Messi e com uma postura agressiva que lembrava Copas do Mundo de décadas passadas, a equipe conseguiu desestabilizar a Inglaterra na semifinal. Porém, essa estratégia fracassou diante da Espanha na decisão.
Contra adversários tecnicamente inferiores, La Albiceleste também prioriza a posse de bola e acelera as jogadas pelo centro do campo, com Enzo Fernández organizando o meio e Messi recuando para participar da construção ofensiva.
Mas, ao enfrentar uma Espanha tecnicamente superior, os argentinos recorreram a um futebol muito mais físico. Um comentarista britânico chegou a classificar a atuação como “antifutebol”, talvez influenciado pela eliminação da Inglaterra na semifinal.
Enquanto a Espanha terminou a final com 65% de posse de bola, 20 finalizações e 12 chutes no alvo, a Argentina só conseguiu seu primeiro arremate — de apenas dois em toda a partida — já na prorrogação.
Além disso, encerrou o jogo com dois jogadores expulsos: Enzo Fernández e Leandro Paredes, que aparentemente não percebeu que a partida já havia terminado antes de continuar se envolvendo em confusões com atletas espanhóis.
Essa postura agressiva funcionou contra a Inglaterra. Depois de sair atrás no placar, a Argentina virou graças aos gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez, este já nos minutos finais, impulsionada por uma atuação decisiva de Messi.
Ainda assim, seria injusto definir a equipe apenas por seu lado físico. Os resultados conquistados ao longo da competição demonstraram que a Argentina continua sendo, hoje, a segunda melhor seleção do mundo.
Os torcedores ingleses lamentaram a decisão do técnico Thomas Tuchel de recuar sua equipe quando ela estava em vantagem contra a Argentina.
Durante boa parte da Copa do Mundo, a Inglaterra praticou um futebol intenso e vertical. Jude Bellingham marcou sete gols, enquanto Antony Gordon e Bukayo Saka foram constantemente acionados pelos lados do campo.
Tuchel possui um histórico vencedor, portanto é difícil questionar suas decisões. Seus jogadores pareciam desgastados fisicamente, mas ficou evidente que a seleção rendia muito mais quando mantinha um ritmo elevado.
Na disputa pelo terceiro lugar, o treinador promoveu diversas mudanças, e os Três Leões atropelaram a França por 6 a 4, deixando a sensação de que poderiam ter ido ainda mais longe.
Na minha opinião, a Inglaterra está muito bem servida de treinador. Ainda assim, não tenho certe
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