A Copa do Mundo de 2026 foi diferente de todas as anteriores. Pela primeira vez, o torneio contou com 48 seleções, deixando para trás o tradicional formato com 32 equipes após uma decisão ousada da FIFA.
Mesmo com as odds da Copa do Mundo de 2026 mais equilibradas devido ao aumento do número de participantes, a Espanha confirmou o favoritismo e conquistou o título ao derrotar a Argentina na final. Antes disso, as quatro primeiras colocadas do ranking masculino da FIFA chegaram às semifinais, mostrando que a ampliação do torneio não comprometeu as chances das principais seleções de fazerem campanhas profundas.
Além do novo formato, esta também foi a primeira Copa do Mundo organizada por três países. Depois de Estados Unidos, México e Canadá receberem a competição em 2026, Portugal, Marrocos e Espanha dividirão a organização em 2030, antes de a Arábia Saudita sediar o torneio de 2034.
Hoje, a SBOTOP analisa se o novo formato foi realmente um sucesso.
A ideia por trás do formato com 48 seleções
Gianni Infantino caminha para seu quarto mandato como presidente da FIFA após o enorme sucesso da Copa do Mundo deste ano.
Sob sua liderança, a entidade adotou o formato com 48 seleções para tornar o torneio mais inclusivo — e, nesse aspecto, a iniciativa funcionou.
África e Ásia foram as maiores beneficiadas.
O continente africano levou um recorde de dez seleções ao Mundial, sendo que nove delas avançaram ao mata-mata, o dobro das vagas disponíveis no antigo formato com 32 equipes.
Já a Ásia contou com nove representantes, incluindo os estreantes Uzbequistão e Jordânia. No entanto, apenas Austrália e Japão conseguiram avançar para a fase eliminatória.
Cabo Verde e Curaçao também disputaram uma Copa do Mundo pela primeira vez, sendo que Curaçao tornou-se o menor país da história a conseguir a classificação, com uma população aproximada de apenas 158 mil habitantes.
As duas seleções tiveram campanhas bastante diferentes no torneio.
Como era esperado, a Europa foi o continente com maior número de representantes, totalizando 16 seleções.
Inglaterra, França, Croácia, Portugal, Noruega, Alemanha, Holanda, Suíça, Escócia, Espanha, Áustria e Bélgica venceram seus respectivos grupos das Eliminatórias Europeias.
Bósnia e Herzegovina, Turquia, Suécia e República Tcheca garantiram vaga por meio da repescagem da UEFA.
As principais histórias criadas pelo novo formato

A verdade é que, sem o formato com 48 seleções, o futebol teria perdido algumas das histórias mais marcantes desta Copa do Mundo.
O maior exemplo foi Cabo Verde.
A seleção africana conquistou o carinho dos torcedores ao chegar surpreendentemente à fase de 32 avos de final.
Os Tubarões Azuis venceram seu grupo nas Eliminatórias Africanas e ainda podem se orgulhar de terem sido a única equipe que a Espanha não conseguiu derrotar durante todo o torneio.
No empate sem gols da estreia, o goleiro Vozinha recebeu inúmeros elogios por sua atuação e, aos 40 anos, foi recebido como herói ao retornar ao seu país.
Depois de terminar na segunda posição do Grupo H, Cabo Verde quase eliminou a Argentina nos minutos finais da prorrogação da fase de 32 avos.
Também vimos a República Democrática do Congo disputar sua primeira Copa do Mundo desde 1974 e oferecer enorme resistência contra Portugal, Colômbia e Inglaterra.
Curaçao também protagonizou um momento histórico ao empatar sem gols com o Equador, uma das seleções consideradas surpresa da competição, antes de acabar eliminada.
A África do Sul igualmente superou as expectativas ao ultrapassar a Coreia do Sul e terminar em segundo lugar no Grupo A, avançando para o mata-mata antes de perder por margem mínima para o Canadá.
Gana, Paraguai e Noruega também proporcionaram algumas das histórias mais positivas do torneio.
A Copa deve ter ainda mais seleções em 2030?
Após o enorme sucesso desta edição, surgiram informações de que a FIFA estuda ampliar novamente o número de participantes para a próxima Copa do Mundo.
A possibilidade divide opiniões.
Há quem defenda que incluir mais 16 seleções diminuiria o nível técnico da competição apenas para ampliar ainda mais sua inclusão.
No entanto, a FIFA parece ter problemas mais urgentes para resolver.
Questões como o alto custo para os torcedores assistirem aos jogos nos estádios, as dificuldades na obtenção de vistos para partidas realizadas nos Estados Unidos e a constante interferência do presidente Donald Trump durante o torneio geraram muitas críticas.
Diversas lendas da Copa do Mundo enfrentaram dificuldades para entrar nos Estados Unidos, situação considerada desrespeitosa por muitos. Além disso, torcedores da classe trabalhadora e fãs de países com restrições de visto acabaram impedidos de acompanhar os jogos presencialmente.
Segundo as notícias da Copa do Mundo de 2026, também houve forte insatisfação com o preço elevado dos ingressos, significativamente superior ao de edições anteriores, levando muitos torcedores a assistirem às partidas apenas pela internet.
Enquanto essas questões importantes não forem solucionadas, ampliar o torneio para 64 seleções deveria ser a menor das prioridades da FIFA.
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